Alceu Valença

DATA: 03/11/2019
 
 

Alceu Valença apresentará o show "Amigo da Arte" no Grande Teatro do Palácio das Artes, no dia 3 de novembro, domingo. O show reúne canções que ressaltam o diálogo entre a obra do cantor e compositor pernambucano e suas referências na literatura, na poesia, na filosofia, nas artes em geral.

Em "Agalopado" (do álbum "Espelho Cristalino", 1977), o artista reúne três referências literárias na mesma obra. Em sintonia com os mineiros Guimarães Rosa (“viro rosa, vereda de espinhos”) e Drummond (“viro pedra no meio do caminho”) e o espanhol Cervantes (“Dom Quixote liberto de Cervantes”), a arte é amiga da dor, do amor, do desengano. "Que Grilo Dá" (de "Mágico", 1984) aproxima o nordeste do João Grilo de Ariano Suassuna ao Macunaíma, o herói sem caráter, do paulista Mario de Andrade, amigos do “riso e desastre do meu Brasil popular”.

A Bahia de Jorge Amado ganha contornos olindenses em "Chuva de Cajus" ("Estação da Luz", 1985). Aos versos “pastores da noite / meu são Jorge Amado / livrai-me do ódio dos apaixonados”, o amigo das letras Jorge retribuiu: “Canto de pássaro, grito de guerra, a caatinga Arida e o verde canavial, o povo nos limites da vida, eis a música de Alceu Valença, terno e profundo menestrel do nordeste” – escreveu.

A canção e a prosa se encontram como conde e passarinho na crônica de Rubem Braga e na letra de "Na Primeira Manhã" ("Coração Bobo", 1980). "Lava Mágoas" ("Cavalo-de-Pau", 1982), parceria de Alceu com Dominguinhos, remete ao “Caso Pluvioso”, de Carlos Drummond de Andrade. "Solidão" ("Mágico", 1984) aponta para a Macondo de Gabriel García Márquez. Como a poesia brasileira é amiga da lusofonia, "Loa de Lisboa" ("Estação da Luz", 1985), exalta a verve de Fernando Pessoa, seguida da récita de “Tabacaria”, um dos maiores momentos do poeta português.

"Belle de Jour" ("Sete Desejos", 1992) aproxima a musa existencialista do cineasta espanhol Luis Buñuel do céu azul e das temperaturas sensuais da praia de Boa Viagem. Do cinema para a pintura, "Girassol" ("Sol e Chuva", 1997), inspirada em Van Gogh, reaproxima a Holanda de Olinda. "Tropicana" ("Cavalo-de-Pau", 1982), deriva das mangas, cajus e outras frutas tropicais que brotam dos traços do artista plástico pernambucano Sérgio de Lemos.

"Seixo Miúdo" ("Rubi", 1986) traz a citação “O homem é o lobo do homem” do filósofo renascentista inglês Thomas Hobbes em sua obra “Leviatã”. E como o tempo é amigo do pensamento, a "Embolada do Tempo" ("Na Embolada do Tempo", 2005) foi concebida pelo compositor para ecoar a máxima do antropólogo pernambucano Gilberto Freyre que “o tempo é tríplice”, onde se vivencia passado, presente e futuro no mesmo tempo e espaço de uma canção. Música em movimento.

O espetáculo reúne ainda temas como "Papagaio do Futuro", "Anunciação", "Coração Bobo", "Cavalo de Pau", "Táxi Lunar", "Pelas Ruas Que Andei", "Marim dos Caetés", "Anjo de Fogo", além da canção-título, "Amigo da Arte".

 

LOCAL: 
Grande Teatro do Palácio das Artes

DATA:
3 de novembro (domingo)

HORÁRIO: 
19h

INGRESSOS: 
Plateia I: R$ 150 (inteira) / R$ 75 (meia)
Plateia II: R$ 130 (inteira) / R$ 65 (meia)
Plateia Superior: R$ 110 (inteira) / R$ 55 (meia)

VENDAS:
online: ingressorapido